Doce D´ocê aprende a inovar com ajuda do Edital Senai de InovaçãoA Doce
D´ocê iniciou suas atividades em abril de 1993 na própria residência da família Bazanella em Chopinzinho, Sudoeste do Paraná. Com a ajuda do marido, Noeli Alves Bazanella vendia seus produtos para vizinhos e conhecidos da cidade. Depois passou para incubadora Sebrae e, ao mesmo tempo, atendia em uma sala de 30m² no centro da cidade fazendo lanches. Em 1997, montou uma padaria em uma avenida de Chopinzinho e a partir daí começou sua expansão.
Em 2000, após três anos de planejamento, estudos e visitas, a empresa decidiu investir em um conceito inovador de panificação e confeitaria: o ultracongelamento. "É um sistema que facilita a vida de nossos clientes, que podem comprar as massas prontas, ficando apenas com a necessidade de fazer o acabamento, o que agiliza o processo", explica um dos sócios, Carlos Bazanella.
Hoje a empresa está instalada no Bairro Industrial de Chopinzinho, em uma área de mais de 60.000 m², possuindo 1.600 m² de espaço físico construído para produção e com um projeto de ampliação em andamento que dobrará a capacidade de produção da empresa até maio de 2010. Atualmente a Doce D´ocê gera 110 empregos diretos e mais de 280 indiretos. A empresa comercializa seus produtos em supermercados, mercados, panificadoras e lojas de conveniência das regiões Sudoeste, Oeste, Noroeste, Centro-Oeste, Centro-Sul, Litoral do Paraná e Oeste de Santa Catarina.
Na produção tudo se transformou: de 15 bolos produzidos por mês em 1993, para mais de 300 unidades por dia em 2009, de 300 pães franceses por dia em 1996, para mais de dois milhões de unidades por mês em 2009 e ainda um mix com mais de 300 produtos entre biscoitos, bolos, tortas, rocamboles, doces, salgados, pães e outros. Todos com um rígido controle de qualidade desde a escolha da matéria prima até a distribuição final ao cliente, garantindo o padrão dos produtos.
"A empresa tem 16 anos, permaneceu dois anos na incubadora do Sebrae e aprendeu andar com seus próprios passos, ficou fortalecida saindo para um local próprio e hoje está em uma área construída de 1.600 m². Nosso faturamento cresceu 52% no ano de 2008 comparado com 2007", afirma Bazanella.
Inovação
Em 2007 a Doce D´ocê teve um projeto contemplado no Edital Senai Inovação e instalou, dentro da empresa, um laboratório para desenvolver a fabricação da massa para bolo ultracongelada, com o auxílio do Senai.
"O fato da empresa já trabalhar com produtos ultracongelados colaborou para realizarmos uma pesquisa de mercado para criar um produto prático e de qualidade que tivesse um diferencial competitivo. A massa de bolo ultracongelada não perde as características de massas caseiras, a rapidez para o produto ficar pronto também é destaque dando condições a todo consumidor utilizar a massa com segurança. Estamos fazendo a comercialização do produto em nossa região nas embalagens de um quilo e queremos produzir e vender cinco mil quilos por mês. Na sequência expandiremos para outras regiões", afirma.
Para o empresário, o edital Senai foi um divisor de águas para a empresa e mostrou que mesmo sendo uma pequena empresa é possível inovar com produtos de qualidade. "Não temos área de pesquisa e desenvolvimento na empresa, porém isso não impede de sermos criativos e buscarmos parceiros como o Senai que nos dá todo suporte para projetos de inovação. O desenvolvimento desta pesquisa e a realização deste projeto colocaram a empresa a frente da concorrência com vantagem competitiva. Pretendemos participar do edital novamente, pois vale muito a pena", conclui.
(Fonte: Fernanda Magnani para Notícias Protec - 22/12/2009)
Fonte: http://www.protec.org.br/casos_sucesso_detalhe.php?id=71
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Inovação tecnológica em purificadores de água
novação tecnológica em purificadores de águaUm revestimento bactericida formado por nanopartículas de cerâmica e prata para aplicação em reservatórios de bebedouros e purificadores de água foi desenvolvido pela Nanox Tecnologia, com sede em São Carlos, no interior paulista.
A empresa, que conta com apoio do programa Pesquisa Inovativa na Pequena e Micro Empresa (PIPE) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), desenvolveu a invenção em parceria com pesquisadores do Centro Multidisciplinar para o Desenvolvimento de Materiais Cerâmicos (CMDMC), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) da fundação paulista.
A tecnologia consiste em uma resina aplicada internamente nos reservatórios de água, de modo a formar uma película que inibe a proliferação de bactérias e toxinas. O revestimento interno, formado por nanopartículas de dióxido de titânio (TiO2) e prata, penetra nas células dos microorganismos presentes na água para destruir suas funções vitais.
"O revestimento é aplicado nas cubas de aço inox que armazenam a água no interior dos bebedouros. A água nesses reservatórios fica imprópria para consumo depois de cerca de dois dias. Com a tecnologia, a grande vantagem é que a água pode ficar parada durante até dez dias na cuba sem perder qualidade", disse Gustavo Simões, presidente da Nanox, à Agência Fapesp.
"No bebedouro, a água encanada passa por filtros onde é totalmente limpa e purificada. O problema é que o contato humano com as torneiras externas acaba produzindo bactérias no reservatório interno do equipamento, que é úmido e escuro - o ambiente ideal para esses microorganismos se reproduzirem e proliferarem", explica.
Segundo ele, se não houver nenhum tipo de abrasão - ou uma raspagem vigorosa com palha de aço -, o revestimento nanobactericida na cuba interna tem a mesma vida útil do próprio bebedouro.
"A tecnologia não tem seletividade e elimina qualquer tipo de bactéria por meio de pequenos choques que ocorrem na própria cuba, em cuja superfície vivem 99% das bactérias, já que é onde elas conseguem se alimentar", aponta.
Criada em janeiro de 2005, a empresa, especializada no desenvolvimento de materiais inteligentes por meio da síntese de óxidos e metais nanoestruturados, foi formada por três pesquisadores do Laboratório Interdisciplinar de Eletroquímica e Cerâmica (LIEC), vinculado ao Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Araraquara (SP).
"As tecnologia da empresa vêm sendo desenvolvidas com base em um tripé que une a capacidade empreendedora da Nanox, os recursos de fomento de instituições como a Fapesp e a parceria estabelecida ao longo desses anos com a Unesp", aponta Gustavo Simões.
As tecnologias de revestimento da Nanox Tecnologia, que recebeu o prêmio Inovação Tecnológica da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) em 2007 na categoria Pequena Empresa, também podem ser aplicadas em vidros, metais, cerâmicas e plásticos que necessitam ficar livres de microorganismos prejudiciais à saúde.
Fonte: Agência Fapesp - 07/10/2009)
http://www.protec.org.br/casos_sucesso_detalhe.php?id=142
A empresa, que conta com apoio do programa Pesquisa Inovativa na Pequena e Micro Empresa (PIPE) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), desenvolveu a invenção em parceria com pesquisadores do Centro Multidisciplinar para o Desenvolvimento de Materiais Cerâmicos (CMDMC), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) da fundação paulista.
A tecnologia consiste em uma resina aplicada internamente nos reservatórios de água, de modo a formar uma película que inibe a proliferação de bactérias e toxinas. O revestimento interno, formado por nanopartículas de dióxido de titânio (TiO2) e prata, penetra nas células dos microorganismos presentes na água para destruir suas funções vitais.
"O revestimento é aplicado nas cubas de aço inox que armazenam a água no interior dos bebedouros. A água nesses reservatórios fica imprópria para consumo depois de cerca de dois dias. Com a tecnologia, a grande vantagem é que a água pode ficar parada durante até dez dias na cuba sem perder qualidade", disse Gustavo Simões, presidente da Nanox, à Agência Fapesp.
"No bebedouro, a água encanada passa por filtros onde é totalmente limpa e purificada. O problema é que o contato humano com as torneiras externas acaba produzindo bactérias no reservatório interno do equipamento, que é úmido e escuro - o ambiente ideal para esses microorganismos se reproduzirem e proliferarem", explica.
Segundo ele, se não houver nenhum tipo de abrasão - ou uma raspagem vigorosa com palha de aço -, o revestimento nanobactericida na cuba interna tem a mesma vida útil do próprio bebedouro.
"A tecnologia não tem seletividade e elimina qualquer tipo de bactéria por meio de pequenos choques que ocorrem na própria cuba, em cuja superfície vivem 99% das bactérias, já que é onde elas conseguem se alimentar", aponta.
Criada em janeiro de 2005, a empresa, especializada no desenvolvimento de materiais inteligentes por meio da síntese de óxidos e metais nanoestruturados, foi formada por três pesquisadores do Laboratório Interdisciplinar de Eletroquímica e Cerâmica (LIEC), vinculado ao Instituto de Química da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Araraquara (SP).
"As tecnologia da empresa vêm sendo desenvolvidas com base em um tripé que une a capacidade empreendedora da Nanox, os recursos de fomento de instituições como a Fapesp e a parceria estabelecida ao longo desses anos com a Unesp", aponta Gustavo Simões.
As tecnologias de revestimento da Nanox Tecnologia, que recebeu o prêmio Inovação Tecnológica da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) em 2007 na categoria Pequena Empresa, também podem ser aplicadas em vidros, metais, cerâmicas e plásticos que necessitam ficar livres de microorganismos prejudiciais à saúde.
Fonte: Agência Fapesp - 07/10/2009)
http://www.protec.org.br/casos_sucesso_detalhe.php?id=142
Um consenso sobre a inovação tecnológica no Brasil
Um consenso sobre a inovação tecnológica no Brasil17/02/2011 - Wellington Freire
Publicação: O Globo
Observando a criatividade dos comerciantes da favela de Heliópolis, em São Paulo, para atender as necessidades de abastecimento dos seus moradores, a revista britânica "The Economist" disse, em reportagem publicada no final do ano passado, que o Brasil poderia buscar inspiração nas suas favelas para criar produtos e negócios mais inovadores para o seu mercado interno.
Apesar do sucesso internacional da economia brasileira, as nossas empresas estão fazendo bem menos do que suas rivais da Índia e da China (falando apenas dos BRICs) para dominar a arte de produzir mercadorias baratas para as massas. Se produtos e serviços inteligentes para os mais pobres enchem as prateleiras das lojas hoje no País, a quase totalidade é pensada e produzida no exterior, especialmente na China.
A reportagem da revista "The Economist" chama assim a atenção para um fato particular do desenvolvimento nacional que contraria um fundamento geral da teoria econômica, onde se aprende que o que deve ser exportado, por razões óbvias, é o excedente e não o principal da produção. Por conta da dinâmica econômica brasileira, marcada historicamente pela dependência externa, as empresas são estimuladas a buscar o mercado global, em detrimento da produção de mercadorias para consumidores locais.
Criar, então, produtos mais inteligentes e, portanto, mais inovadores, para os brasileiros, nos coloca de frente não apenas com o perfil tradicional da indústria nacional, mas também com a questão de como equacionar a relação entre ciência, tecnologia e inovação. Coisas que, apesar de distintas, aqui são sempre postas no mesmo escaninho de políticas públicas sob a sigla genérica de CT&I. Das três, para as empresas, a inovação é a pedra angular, já que é pilar estruturante da competitividade econômica.
Por isso, um confronto da posição do País diante dos concorrentes internacionais, no quesito Inovação, está hoje longe de nos tranquilizar. Um estudo divulgado pelo Fórum Econômico Mundial mostra que o Brasil caiu da 50ª para a 68ª posição no ranking mundial em 2010. Já dentre os países latino-americanos, onde era o 3º mais bem classificado até 2009, o país ficou apenas na 7ª posição ano passado, perdendo para nações como Chile, Uruguai e Costa Rica.
Já o Índice Global de Inovação, registra os obstáculos do setor no Brasil: infraestrutura deficiente, desigualdades sociais, falta de grandes investimentos em educação primária e secundária, e, por último, mas não menos importante, as dificuldades de proteção da propriedade intelectual. A par dessas deficiências estruturais, o Brasil precisa desenvolver um consenso em torno da inovação que leve em consideração as empresas.
Reconhecemos o papel fundamental e estimulador da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e do Ministério da Ciência e Tecnologia na concessão de créditos financeiros, ainda que falte um melhor entendimento do Governo em outras áreas. Apesar dos reconhecidos avanços trazidos pela Lei de Inovação, assinada pelo presidente Lula em 2004, especialmente no seu Capítulo IV denominado "do Estímulo à inovação nas empresas", ainda hoje o processo de registro de uma patente no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) demora de 8 a 10 anos. Essas inconsistências explicam, em parte, a baixa atividade das empresas brasileiras.
Nesse sentido, o País poderia considerar a longa contribuição de algumas empresas multinacionais sediadas no País, principalmente as que possuem uma visão, como a IBM, de que a inovação não está mais restrita aos laboratórios de P&D das grandes empresas ou das universidades, mas que pode estar, como no alerta da "The Economist", até mesmo nas favelas. Através de parcerias com essas empresas poderemos não só inserir inovações brasileiras no mercado global, mas também incrementar a inovação nativa.
Muitas vezes, a vida prática, como o dia a dia em uma favela de São Paulo, Rio ou Distrito Federal, coloca para as empresas demandas inovadoras a partir da boa idéia de alguém, que o mundo corporativo transforma em produto. A liberdade de criar olhando, fazendo e quebrando a cabeça para fazer melhor aquilo que outros fizeram antes vem sendo um dos mais potentes motores do desenvolvimento tecnológico nos países do leste asiático, hoje líderes nos processos de inovação no mundo. O Japão, depois da Segunda Guerra Mundial, e a China, Coréia do Sul e Cingapura são exemplos vivos de que esse modo de pensar pode dar certo.
A inovação brasileira é um jogo complexo, mas necessário para apoiar o desenvolvimento econômico do País. Entendemos que o futuro do Brasil, depende não apenas da educação formal de seu povo, mas também da sua capacidade de inovar e de gerar patentes que possam ser acrescentadas aos resultados de sua economia.
Mas é preciso entender que cabe às empresas a criação, produção e colocação no mercado dos produtos resultantes da inovação. Esse protagonismo empresarial implica responsabilidades, mas exige, por outro lado, instrumentos públicos desenhados com clareza, de acordo com as necessidades e imperativos para fazer da inovação uma ferramenta real de alavancagem da economia do país. Esse é o consenso que precisamos atingir.
Wellington Freire é presidente da empresa vencedora do prêmio Finep "Pequena Empresa mais Inovadora do Brasil" em 2010.
Fonte: http://www.protec.org.br/artigos_detalhe.php?id=418&Um consenso sobre a inovação tecnológica no Brasil
Publicação: O Globo
Observando a criatividade dos comerciantes da favela de Heliópolis, em São Paulo, para atender as necessidades de abastecimento dos seus moradores, a revista britânica "The Economist" disse, em reportagem publicada no final do ano passado, que o Brasil poderia buscar inspiração nas suas favelas para criar produtos e negócios mais inovadores para o seu mercado interno.
Apesar do sucesso internacional da economia brasileira, as nossas empresas estão fazendo bem menos do que suas rivais da Índia e da China (falando apenas dos BRICs) para dominar a arte de produzir mercadorias baratas para as massas. Se produtos e serviços inteligentes para os mais pobres enchem as prateleiras das lojas hoje no País, a quase totalidade é pensada e produzida no exterior, especialmente na China.
A reportagem da revista "The Economist" chama assim a atenção para um fato particular do desenvolvimento nacional que contraria um fundamento geral da teoria econômica, onde se aprende que o que deve ser exportado, por razões óbvias, é o excedente e não o principal da produção. Por conta da dinâmica econômica brasileira, marcada historicamente pela dependência externa, as empresas são estimuladas a buscar o mercado global, em detrimento da produção de mercadorias para consumidores locais.
Criar, então, produtos mais inteligentes e, portanto, mais inovadores, para os brasileiros, nos coloca de frente não apenas com o perfil tradicional da indústria nacional, mas também com a questão de como equacionar a relação entre ciência, tecnologia e inovação. Coisas que, apesar de distintas, aqui são sempre postas no mesmo escaninho de políticas públicas sob a sigla genérica de CT&I. Das três, para as empresas, a inovação é a pedra angular, já que é pilar estruturante da competitividade econômica.
Por isso, um confronto da posição do País diante dos concorrentes internacionais, no quesito Inovação, está hoje longe de nos tranquilizar. Um estudo divulgado pelo Fórum Econômico Mundial mostra que o Brasil caiu da 50ª para a 68ª posição no ranking mundial em 2010. Já dentre os países latino-americanos, onde era o 3º mais bem classificado até 2009, o país ficou apenas na 7ª posição ano passado, perdendo para nações como Chile, Uruguai e Costa Rica.
Já o Índice Global de Inovação, registra os obstáculos do setor no Brasil: infraestrutura deficiente, desigualdades sociais, falta de grandes investimentos em educação primária e secundária, e, por último, mas não menos importante, as dificuldades de proteção da propriedade intelectual. A par dessas deficiências estruturais, o Brasil precisa desenvolver um consenso em torno da inovação que leve em consideração as empresas.
Reconhecemos o papel fundamental e estimulador da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e do Ministério da Ciência e Tecnologia na concessão de créditos financeiros, ainda que falte um melhor entendimento do Governo em outras áreas. Apesar dos reconhecidos avanços trazidos pela Lei de Inovação, assinada pelo presidente Lula em 2004, especialmente no seu Capítulo IV denominado "do Estímulo à inovação nas empresas", ainda hoje o processo de registro de uma patente no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) demora de 8 a 10 anos. Essas inconsistências explicam, em parte, a baixa atividade das empresas brasileiras.
Nesse sentido, o País poderia considerar a longa contribuição de algumas empresas multinacionais sediadas no País, principalmente as que possuem uma visão, como a IBM, de que a inovação não está mais restrita aos laboratórios de P&D das grandes empresas ou das universidades, mas que pode estar, como no alerta da "The Economist", até mesmo nas favelas. Através de parcerias com essas empresas poderemos não só inserir inovações brasileiras no mercado global, mas também incrementar a inovação nativa.
Muitas vezes, a vida prática, como o dia a dia em uma favela de São Paulo, Rio ou Distrito Federal, coloca para as empresas demandas inovadoras a partir da boa idéia de alguém, que o mundo corporativo transforma em produto. A liberdade de criar olhando, fazendo e quebrando a cabeça para fazer melhor aquilo que outros fizeram antes vem sendo um dos mais potentes motores do desenvolvimento tecnológico nos países do leste asiático, hoje líderes nos processos de inovação no mundo. O Japão, depois da Segunda Guerra Mundial, e a China, Coréia do Sul e Cingapura são exemplos vivos de que esse modo de pensar pode dar certo.
A inovação brasileira é um jogo complexo, mas necessário para apoiar o desenvolvimento econômico do País. Entendemos que o futuro do Brasil, depende não apenas da educação formal de seu povo, mas também da sua capacidade de inovar e de gerar patentes que possam ser acrescentadas aos resultados de sua economia.
Mas é preciso entender que cabe às empresas a criação, produção e colocação no mercado dos produtos resultantes da inovação. Esse protagonismo empresarial implica responsabilidades, mas exige, por outro lado, instrumentos públicos desenhados com clareza, de acordo com as necessidades e imperativos para fazer da inovação uma ferramenta real de alavancagem da economia do país. Esse é o consenso que precisamos atingir.
Wellington Freire é presidente da empresa vencedora do prêmio Finep "Pequena Empresa mais Inovadora do Brasil" em 2010.
Fonte: http://www.protec.org.br/artigos_detalhe.php?id=418&Um consenso sobre a inovação tecnológica no Brasil
Volks vai investir R$ 360 milhões para ampliar fábrica de Taubaté
Volks vai investir R$ 360 milhões para ampliar fábrica de Taubaté 21 de Fevereiro de 2011
A Volkswagen vai investir R$ 360 milhões para ampliar a capacidade da fábrica de Taubaté, com a construção de uma nova área de pintura. A produção diária da fábrica passará de 1.050 para 1.300 veículos, quando a ampliação for concluída.
O anúncio foi feito nesta sexta-feira (18/02) pelo presidente da montadora, Thomas Schmall, durante evento de lançamento da pedra fundamental da nova área, que terá 65 mil metros quadrados e deve iniciar suas operações a partir de dezembro de 2012.
A fábrica de Taubaté emprega atualmente 5.200 funcionários e completa neste ano 35 anos de atividade. A montadora prevê novas contratações para a nova ala de pintura, mas não detalha números. No ano passado, a fábrica de Taubaté atingiu seu recorde de produção, com 280 mil automóveis. Na unidade, são feitos o Novo Gol e Novo Voyage.
A linha de pintura é a que exige maior investimento no processo produtivo de uma montadora. Os preparativos para a operação vão durar dois anos. O investimento no projeto está inserido no plano de R$ 6,2 bilhões anunciado pelo grupo para o período de 2010 a 2014.
Para resolver os gargalos em sua produção, a Volks também fez investimentos no setor de pintura da fábrica de São Bernardo do Campo (ABC paulista), em dezembro passado, que ampliarão a capacidade de produção diária em 23%.
"A tecnologia que será usada em Taubaté é mais avançada e está alinhada com a que existe em países como Alemanha e Estados Unidos. Os processos e equipamentos usados emitem menos poluentes e consomem menos energia", disse Schmall.
A nova área de Taubaté, totalmente automatizada, terá 70 robôs que trabalharão na pintura interna e externa dos carros. Com a tecnologia, será eliminada uma camada de tinta do processo e uso de tinta à base de água, o que diminui o uso de solventes.
Novos modelos
A Volks estima aumentar a produção entre 5% e 6% neste ano. Em 2010, foram a montadora fabricados 823 mil no Brasil. Também mantém os planos de fazer 23 lançamentos, incluindo novos modelos e reestilizados. Uma das prioridades da Volks deve ser um novo modelo de carro popular para atrair os consumidores jovens. Hoje o carro mais barato da montadora é o Gol G4, que custa por volta de R$ 26 mil.
"O segmento de carros populares tem cerca de 7% de participação de mercado e pode dobrar nos próximos anos. Temos de ter produtos para esse público", disse Schmall.
"Desmontadoras"
Durante o evento, o vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, disse que o Governo quer formar uma parceria com as montadoras e a Anfavea (associação de montadoras), para um projeto de reciclagem de automóveis.
"A ideia é reaproveitar o aço e outras peças, reciclar e gerar novos negócios. É uma forma de baratear custos para os fabricantes de veículos, além de investir na área ambiental. Hoje existem 100 mil carros entupindo os pátios de São Paulo e contaminado o solo", disse.
"Os investimentos são feitos sempre para abrir novas fábricas, novas montadoras. Queremos propor parcerias para criar 'desmontadoras'", completou.
Um dos primeiros passos é criar "pátios legais", onde os carros apreendidos irregularmente (fora dos padrões ambientais ou com débitos) possam ser alojados e reutilizados. Hoje, 35% da frota está fora dos padrões de inspeção veicular e segurança, estima o vice-governador. O primeiro pátio deverá ser criado neste ano em caráter experimental na cidade de São Paulo.
(Fonte: Folha de S. Paulo - 18/02/2011)
http://www.protec.org.br/noticias_detalhe.php?id=17327
A Volkswagen vai investir R$ 360 milhões para ampliar a capacidade da fábrica de Taubaté, com a construção de uma nova área de pintura. A produção diária da fábrica passará de 1.050 para 1.300 veículos, quando a ampliação for concluída.
O anúncio foi feito nesta sexta-feira (18/02) pelo presidente da montadora, Thomas Schmall, durante evento de lançamento da pedra fundamental da nova área, que terá 65 mil metros quadrados e deve iniciar suas operações a partir de dezembro de 2012.
A fábrica de Taubaté emprega atualmente 5.200 funcionários e completa neste ano 35 anos de atividade. A montadora prevê novas contratações para a nova ala de pintura, mas não detalha números. No ano passado, a fábrica de Taubaté atingiu seu recorde de produção, com 280 mil automóveis. Na unidade, são feitos o Novo Gol e Novo Voyage.
A linha de pintura é a que exige maior investimento no processo produtivo de uma montadora. Os preparativos para a operação vão durar dois anos. O investimento no projeto está inserido no plano de R$ 6,2 bilhões anunciado pelo grupo para o período de 2010 a 2014.
Para resolver os gargalos em sua produção, a Volks também fez investimentos no setor de pintura da fábrica de São Bernardo do Campo (ABC paulista), em dezembro passado, que ampliarão a capacidade de produção diária em 23%.
"A tecnologia que será usada em Taubaté é mais avançada e está alinhada com a que existe em países como Alemanha e Estados Unidos. Os processos e equipamentos usados emitem menos poluentes e consomem menos energia", disse Schmall.
A nova área de Taubaté, totalmente automatizada, terá 70 robôs que trabalharão na pintura interna e externa dos carros. Com a tecnologia, será eliminada uma camada de tinta do processo e uso de tinta à base de água, o que diminui o uso de solventes.
Novos modelos
A Volks estima aumentar a produção entre 5% e 6% neste ano. Em 2010, foram a montadora fabricados 823 mil no Brasil. Também mantém os planos de fazer 23 lançamentos, incluindo novos modelos e reestilizados. Uma das prioridades da Volks deve ser um novo modelo de carro popular para atrair os consumidores jovens. Hoje o carro mais barato da montadora é o Gol G4, que custa por volta de R$ 26 mil.
"O segmento de carros populares tem cerca de 7% de participação de mercado e pode dobrar nos próximos anos. Temos de ter produtos para esse público", disse Schmall.
"Desmontadoras"
Durante o evento, o vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, disse que o Governo quer formar uma parceria com as montadoras e a Anfavea (associação de montadoras), para um projeto de reciclagem de automóveis.
"A ideia é reaproveitar o aço e outras peças, reciclar e gerar novos negócios. É uma forma de baratear custos para os fabricantes de veículos, além de investir na área ambiental. Hoje existem 100 mil carros entupindo os pátios de São Paulo e contaminado o solo", disse.
"Os investimentos são feitos sempre para abrir novas fábricas, novas montadoras. Queremos propor parcerias para criar 'desmontadoras'", completou.
Um dos primeiros passos é criar "pátios legais", onde os carros apreendidos irregularmente (fora dos padrões ambientais ou com débitos) possam ser alojados e reutilizados. Hoje, 35% da frota está fora dos padrões de inspeção veicular e segurança, estima o vice-governador. O primeiro pátio deverá ser criado neste ano em caráter experimental na cidade de São Paulo.
(Fonte: Folha de S. Paulo - 18/02/2011)
http://www.protec.org.br/noticias_detalhe.php?id=17327
Ciência e Tecnologia perde R$ 1,7 bilhões com corte no Orçamento
Ciência e Tecnologia perde R$ 1,7 bilhões com corte no Orçamento21 de Fevereiro de 2011
O Ministério da Ciência e Tecnologia responderá por cerca de R$ 1 bilhão do corte de R$ 50 bilhões no Orçamento da União deste ano. O número foi definido ontem entre o ministro Aloizio Mercadante e a presidente Dilma Rousseff. O ministério vai perder R$ 610 milhões para investimentos e R$ 353,6 milhões para custeio.
Além disso, a pasta não receberá R$ 713 milhões previstos em emendas parlamentares. Esse montante foi vetado pelo Executivo. Com o valor das emendas, a perda chega a R$ 1,7 bilhão.
O Orçamento aprovado pelo Congresso para a Ciência e Tecnologia foi de R$ 7,4 bilhões. O valor inicial enviado aos congressistas foi de R$ 8,1 bilhões, porque estavam incluídas emendas que, se sancionadas pela presidente, entrariam na rubrica de pagamento obrigatório.
Dilma decidiu vetar essas emendas que, entre todos os ministérios, somavam cerca de R$ 1,1 bilhão. Com o corte previsto, o Ministério de Ciência e Tecnologia terá Orçamento de cerca de R$ 6,4 bilhões para este ano. Poderá contar com R$ 200 milhões adicionais em emendas parlamentares que o Executivo não passou a tesoura. No ano passado, o Orçamento da pasta foi de R$ 7,8 bilhões.
Dilma conversou nos últimos dias com Mercadante e Nelson Jobim (Defesa) para tratar dos cortes. O Orçamento da Defesa perderá 26,5% das receitas referentes a custeio e investimento. A ministra Miriam Belchior (Planejamento) anunciará na próxima semana como o Governo atingirá a meta de reduzir R$ 50 bilhões das despesas orçamentárias para este ano.
Fonte: http://www.protec.org.br/noticias_detalhe.php?id=17324
O Ministério da Ciência e Tecnologia responderá por cerca de R$ 1 bilhão do corte de R$ 50 bilhões no Orçamento da União deste ano. O número foi definido ontem entre o ministro Aloizio Mercadante e a presidente Dilma Rousseff. O ministério vai perder R$ 610 milhões para investimentos e R$ 353,6 milhões para custeio.
Além disso, a pasta não receberá R$ 713 milhões previstos em emendas parlamentares. Esse montante foi vetado pelo Executivo. Com o valor das emendas, a perda chega a R$ 1,7 bilhão.
O Orçamento aprovado pelo Congresso para a Ciência e Tecnologia foi de R$ 7,4 bilhões. O valor inicial enviado aos congressistas foi de R$ 8,1 bilhões, porque estavam incluídas emendas que, se sancionadas pela presidente, entrariam na rubrica de pagamento obrigatório.
Dilma decidiu vetar essas emendas que, entre todos os ministérios, somavam cerca de R$ 1,1 bilhão. Com o corte previsto, o Ministério de Ciência e Tecnologia terá Orçamento de cerca de R$ 6,4 bilhões para este ano. Poderá contar com R$ 200 milhões adicionais em emendas parlamentares que o Executivo não passou a tesoura. No ano passado, o Orçamento da pasta foi de R$ 7,8 bilhões.
Dilma conversou nos últimos dias com Mercadante e Nelson Jobim (Defesa) para tratar dos cortes. O Orçamento da Defesa perderá 26,5% das receitas referentes a custeio e investimento. A ministra Miriam Belchior (Planejamento) anunciará na próxima semana como o Governo atingirá a meta de reduzir R$ 50 bilhões das despesas orçamentárias para este ano.
Fonte: http://www.protec.org.br/noticias_detalhe.php?id=17324
Editorial O Globo: Inovação é arma na disputa com chineses
Editorial O Globo: Inovação é arma na disputa com chineses 21 de Fevereiro de 2011
Desde 2009 a China assumiu a posição de maior parceiro comercial do Brasil em valores transacionados (o segundo lugar é ocupado pelos Estados Unidos, posto já ameaçado pelo terceiro, a Argentina). As exportações deram um salto, mas as importações cresceram relativamente até mais, de modo que o saldo comercial em favor do Brasil acabou permanecendo inalterado, no patamar de US$5 bilhões.
O Brasil exporta para a China matérias-primas e produtos básicos, tais como minério de ferro, soja em grão e petróleo cru. E vem importando bens intermediários e produtos acabados, entre os quais se destacam os relacionados a incrementos de produção e melhorias na infraestrutura (máquinas e equipamentos, navios, trens de passageiros etc.). Embora o consumidor brasileiro já observe nas prateleiras das lojas muitos produtos made in China (ficando até com a sensação que estão dominando o mercado), esses bens ainda representam aproximadamente 10% do total das importações feitas daquele país.
A economia chinesa cresceu incrivelmente nas três últimas décadas, a ponto de ultrapassar o Japão, em 2010, como a segunda maior do mundo. Com uma população que supera a de todos os países das Américas e da Europa juntos, a China viu seu modesto mercado interno minguar ainda mais no período da barbárie maoísta.
A partir de Deng Xiaoping, o pragmatismo passou a ser a marca da política econômica chinesa. O sucesso de Hong Kong, então colônia britânica, extrapolou para áreas vizinhas em território chinês, que se tornaram zonas econômicas especiais, modelo depois estendido a todo o litoral. As exportações alavancaram a economia chinesa, que, graças a uma capacidade de formação de poupança doméstica sem paralelo na história, começou a investir velozmente em infraestrutura.
O resultado é conhecido: a China assumiu o papel de locomotiva da economia mundial. A demanda chinesa é hoje fator preponderante na determinação dos preços da imensa maioria dos produtos transacionados no planeta.
A China se transformou em uma espécie de fábrica do mundo. É um dragão econômico difícil de ser batido, pois produz em grande escala e a custos reduzidos. Não é possível competir com os chineses de maneira ingênua, pois o sistema político do país permite que as autoridades restrinjam o funcionamento dos seus mercados domésticos quando isso já não lhes interessa. As regras internacionais e a legislação brasileira admitem a adoção de medidas de defesa comercial nos casos em que a competição desleal é mascarada por artifícios.
No entanto, diante dessa nova realidade não se pode apenas "jogar na retranca". Com inovação, conjugada a um esforço de aumento de produtividade, as empresas brasileiras terão condições de conviver com a agressividade chinesa. No mínimo, o Brasil precisa também tentar ampliar a sua pauta de exportações para a China, saindo de uma postura de acomodação. Reclamar só da concorrência chinesa de nada adiantará.
(Fonte: O Globo - 20/02/2011)
http://www.protec.org.br/noticias_detalhe.php?id=17321
Desde 2009 a China assumiu a posição de maior parceiro comercial do Brasil em valores transacionados (o segundo lugar é ocupado pelos Estados Unidos, posto já ameaçado pelo terceiro, a Argentina). As exportações deram um salto, mas as importações cresceram relativamente até mais, de modo que o saldo comercial em favor do Brasil acabou permanecendo inalterado, no patamar de US$5 bilhões.
O Brasil exporta para a China matérias-primas e produtos básicos, tais como minério de ferro, soja em grão e petróleo cru. E vem importando bens intermediários e produtos acabados, entre os quais se destacam os relacionados a incrementos de produção e melhorias na infraestrutura (máquinas e equipamentos, navios, trens de passageiros etc.). Embora o consumidor brasileiro já observe nas prateleiras das lojas muitos produtos made in China (ficando até com a sensação que estão dominando o mercado), esses bens ainda representam aproximadamente 10% do total das importações feitas daquele país.
A economia chinesa cresceu incrivelmente nas três últimas décadas, a ponto de ultrapassar o Japão, em 2010, como a segunda maior do mundo. Com uma população que supera a de todos os países das Américas e da Europa juntos, a China viu seu modesto mercado interno minguar ainda mais no período da barbárie maoísta.
A partir de Deng Xiaoping, o pragmatismo passou a ser a marca da política econômica chinesa. O sucesso de Hong Kong, então colônia britânica, extrapolou para áreas vizinhas em território chinês, que se tornaram zonas econômicas especiais, modelo depois estendido a todo o litoral. As exportações alavancaram a economia chinesa, que, graças a uma capacidade de formação de poupança doméstica sem paralelo na história, começou a investir velozmente em infraestrutura.
O resultado é conhecido: a China assumiu o papel de locomotiva da economia mundial. A demanda chinesa é hoje fator preponderante na determinação dos preços da imensa maioria dos produtos transacionados no planeta.
A China se transformou em uma espécie de fábrica do mundo. É um dragão econômico difícil de ser batido, pois produz em grande escala e a custos reduzidos. Não é possível competir com os chineses de maneira ingênua, pois o sistema político do país permite que as autoridades restrinjam o funcionamento dos seus mercados domésticos quando isso já não lhes interessa. As regras internacionais e a legislação brasileira admitem a adoção de medidas de defesa comercial nos casos em que a competição desleal é mascarada por artifícios.
No entanto, diante dessa nova realidade não se pode apenas "jogar na retranca". Com inovação, conjugada a um esforço de aumento de produtividade, as empresas brasileiras terão condições de conviver com a agressividade chinesa. No mínimo, o Brasil precisa também tentar ampliar a sua pauta de exportações para a China, saindo de uma postura de acomodação. Reclamar só da concorrência chinesa de nada adiantará.
(Fonte: O Globo - 20/02/2011)
http://www.protec.org.br/noticias_detalhe.php?id=17321
Entrevista: Desindustrialização à brasileira: déficit tecnológico do País atinge recorde
Entrevista: Desindustrialização à brasileira: déficit tecnológico do País atinge recorde11 de Fevereiro de 2011
O déficit tecnológico da indústria brasileira vem crescendo significativamente. Em 2010, ele ficou em US$ 84,9 bilhões, superando em mais de US$ 20 bilhões, ou 33,2%, o resultado de 2008 - o pior registrado até então. Os dados são de levantamento da Sociedade Brasileira Pró-Inovação Tecnológica (PROTEC) com base nas contas do País disponibilizadas pelo Ministério do Desenvolvimento. O conceito de déficit tecnológico foi criado pelo diretor-geral da PROTEC, Roberto Nicolsky, com o objetivo de obter um indicador para verificar a competitividade dos segmentos industriais brasileiros de maior intensidade tecnológica no comércio exterior. Este indicador, que reflete a intensidade da dependência brasileira por tecnologia, inclui o saldo comercial dos grupos de alta e de média-alta tecnologia e das contas de serviços tecnológicos, como computação, royalties e aluguel de equipamentos.
Em entrevista, Nicolsky falou que a gravidade do déficit tecnológico registrado em 2010 revela a fragilidade da indústria brasileira, que enfrenta o risco de desindustrialização com a alta do real e o custo Brasil. Para ele, se a tendência se mantiver, o País perderá cada vez mais conteúdo tecnológico. O diretor da PROTEC disse ainda que a competitividade das empresas nacionais em produtos de alta e média-alta tecnologia é significativamente baixa em termos de mercado global e que as exportações de 2010, da ordem de US$ 45,2 bilhões, resultam mais das estratégias comerciais de multinacionais instaladas no País e menos de uma política de Governo para incentivar a inovação na indústria e as exportações de produtos de alto valor agregado.
O déficit tecnológico da indústria brasileira só faz crescer. Em 2010, ficou em US$ 84,9 bilhões, superando em mais de US$ 20 bilhões, ou 33,2%, o resultado de 2008. O que explica isso?
Roberto Nicolsky - A explicação está na conjugação perversa de fatores macroeconômicos - tais como o real valorizado, os juros altos e a elevada carga fiscal - com a falta de efetividade das políticas industriais, principalmente a questão da falta de barreiras tarifárias e não tarifárias (controles de conformidade com normas técnicas, qualidade e preços praticados pelos importadores) e do fomento ao desenvolvimento de inovações tecnológicas nas empresas, mecanismo este que dispõe ainda de poucos recursos e além de serem oferecidos de maneira inapropriada e inadequada. A maneira própria é oferecer recursos para os investimento em desenvolvimento tecnológico de inovações com o partilhamento dos riscos tecnológicos e empresariais entre Estado e a empresa, como fazem todos os países desenvolvidos e, especialmente, aqueles emergentes que estão lutando por um lugar ao sol num cenário mundial previamente estabelecido. A nós ainda falta uma vontade política decidida. Há grandes expectativas de que o atual governo finalmente assuma essa decisão definitivamente.
A trajetória de valorização do real, a partir de 2006, tem alguma relação com o agravamento do déficit tecnológico no País?
Roberto Nicolsky - Certamente, embora o déficit tecnológico venha crescendo já há algum tempo. A valorização do real agravou o quadro de desagregação das cadeias produtivas nacionais por tornar os produtos importados, notadamente da China, extremamente competitivos. Assim, cria-se o paradoxo de que a produção industrial cresce, mesmo em volume, mas seu valor agregado nacional diminui, cedendo uma parcela cada vez maior do mercado interno aos produtos importados finalizados ou aos seus componentes.
Com os dados de gravidade do déficit tecnológico registrado em 2010, podemos dizer que a indústria brasileira enfrenta o risco de desindustrialização?
Roberto Nicolsky - É preciso não ter meias palavras e compreender que a indústria está em processo de desindustrialização de uma forma peculiar à nossa economia. Uma desindustrialização à brasileira. Ou seja, como dispomos de um grande mercado interno em fase de sólido crescimento da demanda, a atividade industrial, como um todo, cresce e dá argumentos aos céticos, que alegam normalidade ou um movimento natural. Ao se analisar profundamente o atual cenário, vemos que a quebra de cadeias produtivas por componentes importados está acarretando a desarticulação dos fornecedores e desativação de partes do processo produtivo. Daí resulta uma perda de conteúdo tecnológico, representado pela acumulação de experiências produtivas específicas, e o desaprendizado. Passados alguns anos, essa competência tecnológica fica perdida não só pela perda da memória, mas, principalmente, pela obsolescência compulsória.
Como você avalia a competitividade das empresas nacionais em produtos de alta e média-alta tecnologia em termos de mercado global?
Roberto Nicolsky - Ainda temos alguns nichos que preservaram a competência tecnológica por características específicas, tais como processarem matéria prima nacional (celulose de eucalipto, por exemplo), ou por já atuarem globalizados e poderem transferir a produção para filiais externas (multinacionais de eletrônica e telecomunicações etc.) com moeda menos valorizada. Para os demais setores da indústria de média-alta e alta intensidade tecnológica está havendo um verdadeiro massacre pelos produtores chineses desses produtos e componentes que os oferecem até para produzir com a nossa própria marca.
O que falta para uma política de governo eficaz que incentive a inovação na indústria e as exportações de produtos de alto valor agregado?
Roberto Nicolsky - Primeiramente, é preciso redefinir as variáveis macroeconômicas para reduzir os juros básicos e, assim, conter o efeito de atração de divisas. Atuar firmemente na defesa do mercado interno com os mecanismos tarifários e não tarifários disponíveis e isentar as exportação de qualquer tributo com liberação imediata dos benefícios fiscais. Por outro lado, é indispensável desonerar completamente os investimentos, para estimular as empresas ao crescimento da oferta e controlar a inflação, e dar um verdadeiro choque de inovação através do compartilhamento universal dos investimentos em inovação entre Estado e empresas para incorporar aos nossos produtos as qualidades competitivas dos importados e, com o tempo, melhorá-las competitivamente. É preciso lembrar sempre que o maior beneficiários dos investimento não é a empresa que corre o risco ao desenvolvê-los, pois a sua expectativa de benefício é o lucro que, em média, é de 8% da agregação líquida de valor, enquanto o Estado se apropria da sua carga fiscal (hoje 37%, em média) antes mesmo da apuração de lucro. É claro que isso é perverso com a empresa e desestimula qualquer iniciativa de inovação sistemática, a menos que esse Estado se torne parceiro através dos mecanismos de fomento. E isso ainda é um grande obstáculo entre em nossa cultura.
(Fonte: Revista Tic Mercado - 09/02/2011)
O déficit tecnológico da indústria brasileira vem crescendo significativamente. Em 2010, ele ficou em US$ 84,9 bilhões, superando em mais de US$ 20 bilhões, ou 33,2%, o resultado de 2008 - o pior registrado até então. Os dados são de levantamento da Sociedade Brasileira Pró-Inovação Tecnológica (PROTEC) com base nas contas do País disponibilizadas pelo Ministério do Desenvolvimento. O conceito de déficit tecnológico foi criado pelo diretor-geral da PROTEC, Roberto Nicolsky, com o objetivo de obter um indicador para verificar a competitividade dos segmentos industriais brasileiros de maior intensidade tecnológica no comércio exterior. Este indicador, que reflete a intensidade da dependência brasileira por tecnologia, inclui o saldo comercial dos grupos de alta e de média-alta tecnologia e das contas de serviços tecnológicos, como computação, royalties e aluguel de equipamentos.
Em entrevista, Nicolsky falou que a gravidade do déficit tecnológico registrado em 2010 revela a fragilidade da indústria brasileira, que enfrenta o risco de desindustrialização com a alta do real e o custo Brasil. Para ele, se a tendência se mantiver, o País perderá cada vez mais conteúdo tecnológico. O diretor da PROTEC disse ainda que a competitividade das empresas nacionais em produtos de alta e média-alta tecnologia é significativamente baixa em termos de mercado global e que as exportações de 2010, da ordem de US$ 45,2 bilhões, resultam mais das estratégias comerciais de multinacionais instaladas no País e menos de uma política de Governo para incentivar a inovação na indústria e as exportações de produtos de alto valor agregado.
O déficit tecnológico da indústria brasileira só faz crescer. Em 2010, ficou em US$ 84,9 bilhões, superando em mais de US$ 20 bilhões, ou 33,2%, o resultado de 2008. O que explica isso?
Roberto Nicolsky - A explicação está na conjugação perversa de fatores macroeconômicos - tais como o real valorizado, os juros altos e a elevada carga fiscal - com a falta de efetividade das políticas industriais, principalmente a questão da falta de barreiras tarifárias e não tarifárias (controles de conformidade com normas técnicas, qualidade e preços praticados pelos importadores) e do fomento ao desenvolvimento de inovações tecnológicas nas empresas, mecanismo este que dispõe ainda de poucos recursos e além de serem oferecidos de maneira inapropriada e inadequada. A maneira própria é oferecer recursos para os investimento em desenvolvimento tecnológico de inovações com o partilhamento dos riscos tecnológicos e empresariais entre Estado e a empresa, como fazem todos os países desenvolvidos e, especialmente, aqueles emergentes que estão lutando por um lugar ao sol num cenário mundial previamente estabelecido. A nós ainda falta uma vontade política decidida. Há grandes expectativas de que o atual governo finalmente assuma essa decisão definitivamente.
A trajetória de valorização do real, a partir de 2006, tem alguma relação com o agravamento do déficit tecnológico no País?
Roberto Nicolsky - Certamente, embora o déficit tecnológico venha crescendo já há algum tempo. A valorização do real agravou o quadro de desagregação das cadeias produtivas nacionais por tornar os produtos importados, notadamente da China, extremamente competitivos. Assim, cria-se o paradoxo de que a produção industrial cresce, mesmo em volume, mas seu valor agregado nacional diminui, cedendo uma parcela cada vez maior do mercado interno aos produtos importados finalizados ou aos seus componentes.
Com os dados de gravidade do déficit tecnológico registrado em 2010, podemos dizer que a indústria brasileira enfrenta o risco de desindustrialização?
Roberto Nicolsky - É preciso não ter meias palavras e compreender que a indústria está em processo de desindustrialização de uma forma peculiar à nossa economia. Uma desindustrialização à brasileira. Ou seja, como dispomos de um grande mercado interno em fase de sólido crescimento da demanda, a atividade industrial, como um todo, cresce e dá argumentos aos céticos, que alegam normalidade ou um movimento natural. Ao se analisar profundamente o atual cenário, vemos que a quebra de cadeias produtivas por componentes importados está acarretando a desarticulação dos fornecedores e desativação de partes do processo produtivo. Daí resulta uma perda de conteúdo tecnológico, representado pela acumulação de experiências produtivas específicas, e o desaprendizado. Passados alguns anos, essa competência tecnológica fica perdida não só pela perda da memória, mas, principalmente, pela obsolescência compulsória.
Como você avalia a competitividade das empresas nacionais em produtos de alta e média-alta tecnologia em termos de mercado global?
Roberto Nicolsky - Ainda temos alguns nichos que preservaram a competência tecnológica por características específicas, tais como processarem matéria prima nacional (celulose de eucalipto, por exemplo), ou por já atuarem globalizados e poderem transferir a produção para filiais externas (multinacionais de eletrônica e telecomunicações etc.) com moeda menos valorizada. Para os demais setores da indústria de média-alta e alta intensidade tecnológica está havendo um verdadeiro massacre pelos produtores chineses desses produtos e componentes que os oferecem até para produzir com a nossa própria marca.
O que falta para uma política de governo eficaz que incentive a inovação na indústria e as exportações de produtos de alto valor agregado?
Roberto Nicolsky - Primeiramente, é preciso redefinir as variáveis macroeconômicas para reduzir os juros básicos e, assim, conter o efeito de atração de divisas. Atuar firmemente na defesa do mercado interno com os mecanismos tarifários e não tarifários disponíveis e isentar as exportação de qualquer tributo com liberação imediata dos benefícios fiscais. Por outro lado, é indispensável desonerar completamente os investimentos, para estimular as empresas ao crescimento da oferta e controlar a inflação, e dar um verdadeiro choque de inovação através do compartilhamento universal dos investimentos em inovação entre Estado e empresas para incorporar aos nossos produtos as qualidades competitivas dos importados e, com o tempo, melhorá-las competitivamente. É preciso lembrar sempre que o maior beneficiários dos investimento não é a empresa que corre o risco ao desenvolvê-los, pois a sua expectativa de benefício é o lucro que, em média, é de 8% da agregação líquida de valor, enquanto o Estado se apropria da sua carga fiscal (hoje 37%, em média) antes mesmo da apuração de lucro. É claro que isso é perverso com a empresa e desestimula qualquer iniciativa de inovação sistemática, a menos que esse Estado se torne parceiro através dos mecanismos de fomento. E isso ainda é um grande obstáculo entre em nossa cultura.
(Fonte: Revista Tic Mercado - 09/02/2011)
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